Link do livro: Os Segredos Que o Nosso Corpo Revela
Esse, é um manual prático e direto sobre linguagem corporal, dividido por partes do corpo, pensado para ser aplicado em entrevistas de emprego, negociações e relacionamentos.
Pega o seu café, porque o livro é recheado de pequenos testes, exemplos e “desafios” para o leitor praticar a observação enquanto lê.
Quem é Alexandre Monteiro
Alexandre Monteiro se apresenta como palestrante internacional, autor, treinador e coach em inteligência não verbal, além de comentador de televisão em Portugal, especialista no que ele chama de “Decifrar Pessoas”. Segundo o livro, ele passou mais de uma década estudando com especialistas em linguagem corporal, ex-agentes do FBI, espiões, terapeutas e investigadores do comportamento humano antes de sistematizar o próprio método, batizado de “sistema DICA”.
Por dentro de Os Segredos Que o Nosso Corpo Revela
O livro é dividido por regiões do corpo: depois de um capítulo introdutório sobre o poder da linguagem corporal, a observação e a primeira impressão, o autor passa a detalhar sinais específicos da cabeça (rosto, sobrancelhas, testa, lábios, língua), do tronco e dos membros (braços e mãos). A extração usada para este resumo cobriu o capítulo introdutório completo e a maior parte do capítulo sobre cabeça, tronco e membros; o restante do livro (se houver capítulos sobre pernas, pés ou detecção de mentira mais aprofundada) não estava disponível no texto extraído.
Resumo capítulo por capítulo
O poder da linguagem corporal
O capítulo de abertura apresenta os estudos clássicos de Albert Mehrabian (que estima a comunicação face a face em 7% palavras, 38% tom de voz e 55% linguagem corporal) e de Ray Birdwhistell, para defender que a maior parte de uma mensagem é transmitida de forma não verbal. O autor explica que 90% da linguagem corporal é controlada pelo inconsciente (sistemas límbico e reptiliano), o que a tornaria mais confiável do que as palavras, que passam pelo filtro consciente do neocórtex.
Observação, primeira impressão e o sistema DICA
O capítulo detalha como treinar a observação (incluindo o conceito de “cegueira desatenta” e a importância de identificar o “comportamento-base” de cada pessoa antes de interpretar desvios), e descreve as três etapas da primeira impressão: pré-contacto, contacto e confirmação, que se formam nos primeiros quatro segundos de qualquer interação. O autor insiste que gestos isolados enganam, e que o ideal é observar “clusters” (grupos de pelo menos três sinais) antes de tirar qualquer conclusão.
A cabeça
Esta seção detalha o significado de acenar com a cabeça (o “sim” e o “não” não verbais seriam mais confiáveis que os verbais), a posição do queixo como indicador de ego, a inclinação da cabeça como sinal de interesse ou sintonia, o movimento das sobrancelhas (inclusive o “flash de sobrancelhas” como sinal de aprovação ou rejeição), a testa enrugada, os lábios (pressionados, avançados ou mordidos) e a língua como indicadores de tensão, dúvida ou atração.
Tronco e membros
Embora a extração não tenha coberto o início desta seção em detalhe, a parte final sobre os membros (mãos e braços) traz orientações específicas: movimentos rápidos e repetitivos das mãos indicam nervosismo; esfregar as palmas das mãos lentamente sugere expectativa de ganho às custas de outra pessoa; a “cúpula do poder” (unir as pontas dos dedos à frente do corpo) transmitiria autoridade sem parecer arrogante, desde que usada com moderação; e a posição dos dedos ao colocar as mãos nos bolsos ou ao apontar revelaria diferentes graus de confiança, agressividade ou insegurança.
Ideia central, em uma frase
“Comunicar não é aquilo que digo ou faço, mas sim o que os outros percebem do que digo ou faço.” Essa definição do autor resume o argumento central do livro: a intenção de quem fala importa menos do que o sinal, consciente ou inconsciente, que o corpo efetivamente transmite.
As ideias que ficam
A primeira é o conceito de comportamento-base: antes de interpretar qualquer gesto como significativo, é preciso saber como aquela pessoa específica se comporta normalmente, já que um mesmo sinal pode significar coisas diferentes em pessoas diferentes.
A segunda é a recomendação de nunca interpretar um gesto isolado, mas sempre buscar um conjunto de pelo menos três sinais (“clusters”) antes de tirar qualquer conclusão sobre o que alguém sente ou pretende.
A terceira é a distinção entre “sim” e “não” verbais e não verbais: segundo o autor, quando a cabeça faz um gesto que contradiz a palavra dita, o gesto tende a ser a informação mais confiável, por ser majoritariamente inconsciente.
Onde o livro erra
O maior ponto de atenção é que boa parte da literatura popular sobre linguagem corporal, incluindo as estatísticas de Mehrabian citadas no primeiro capítulo, é frequentemente criticada por pesquisadores de comunicação por generalizar demais um estudo específico (sobre congruência emocional em situações bem delimitadas) para qualquer tipo de comunicação. O livro apresenta esses números como regra geral, sem essa ressalva.
Outro ponto é que várias interpretações de gestos específicos (como o significado exato de tocar no queixo, cruzar os braços ou inclinar a cabeça para um lado) vêm de observações práticas do próprio autor e de tradições populares de linguagem corporal, não de estudos controlados e revisados por pares, ainda que o livro mencione “milhares de estudos científicos” de forma genérica.
Por fim, o próprio autor reconhece, em pelo menos um trecho, que um dos “estudos” citados (sobre inclinar a cabeça para a direita ou esquerda) não teve a credibilidade confirmada, o que é uma transparência bem-vinda, mas também levanta a questão de quantas outras afirmações do livro teriam o mesmo problema sem o mesmo aviso.
Levando para a vida
Uma aplicação direta e de baixo risco é observar o comportamento-base de pessoas próximas (como gesticulam, como cumprimentam, como reagem normalmente) antes de tentar interpretar qualquer mudança de comportamento como sinal de algo errado.
Outra é testar, numa reunião ou negociação, a técnica da “cúpula do poder” (unir as pontas dos dedos à frente do corpo) como ponto de apoio para as mãos, em vez de cruzá-las ou escondê-las nos bolsos, e observar se isso muda a forma como você se sente durante a conversa.
Para quem é e o que ler depois
O livro é indicado para quem busca uma introdução prática e cheia de exemplos sobre linguagem corporal, pensada para aplicação imediata em entrevistas, negociações e relações pessoais. É menos indicado para quem busca uma base científica rigorosa sobre comunicação não verbal, ou precisão acadêmica nas afirmações.
Para seguir no tema, vale ler Por Dentro da Mente do Consumidor, de Philip Graves, já resumido aqui no blog, que também trata de comportamento humano, mas com uma base mais sólida em estudos de neurociência e psicologia citados com rigor.
Vale a leitura?
Vale, como manual prático de observação, com a ressalva sobre o rigor científico das afirmações. Eu daria 6.
O livro é organizado, fácil de seguir e cheio de exemplos aplicáveis ao dia a dia, mas mistura observações pessoais do autor com estudos citados de forma genérica, sem distinguir claramente o que é consenso científico do que é interpretação própria.
Para quem quer uma introdução rápida e prática à leitura de sinais não verbais, sem grandes pretensões acadêmicas, o livro cumpre o que promete.