Link do livro: Os 72 Anjos Cabalísticos
Os 72 Anjos Cabalísticos é um guia de referência da tradição cabalística judaica: explica a origem numerológica dos 72 nomes angelicais a partir do nome sagrado de Deus e apresenta, anjo por anjo, as datas de atuação, o versículo mágico em latim extraído dos Salmos, o poder favorecido e o “gênio contrário” (o lado desfavorável) de cada um.
Pega o seu café, porque não é um livro narrativo, e sim uma compilação de referência, pensada para ser consultada: você busca sua data de nascimento, encontra seu anjo e lê suas características.
De onde vem o material
O conteúdo foi compilado e distribuído pelo canal e blog “Eu Sou O Que Sou”, de Vanessa Paço, que assina o encerramento do material. Não se trata de uma obra de autoria individual original no sentido tradicional, mas de uma sistematização de uma tradição cabalística bem mais antiga, associada aos cabalistas e rabinos que extraíram os “versículos mágicos” dos Salmos.
Por dentro de Os 72 Anjos Cabalísticos
O material está estruturado em três grandes blocos. O primeiro explica a origem dos 72 anjos: o nome sagrado de Deus em hebraico (IAVÉ) está ligado à letra YOD (décima letra do alfabeto hebraico, valor 10), e a soma das letras do nome resulta em 72 — daí os 72 anjos, cada um associado a uma das terminações IAH, EL, AEL ou AIEL. Cada anjo rege cinco datas do calendário (72 x 5 = 360 dias), e os cinco dias restantes do ano (19/03, 31/05, 12/08, 05/01 e 24/10) são atribuídos aos “Gênios da Humanidade”, divindades egípcias (Anúbis, Sekhmet, Thoth, Rá e Osíris) associadas por sincretismo histórico durante o período em que os hebreus viveram no Egito.
O segundo bloco é a tabela completa dos 72 anjos com suas cinco datas de atuação ao longo do ano, seguida dos 72 versículos mágicos em latim, extraídos dos Salmos, que funcionam como talismãs sonoros.
O terceiro bloco organiza os 72 anjos em nove hierarquias angelicais (Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potências, Virtudes, Principados, Arcanjos e Anjos), cada uma sob um “príncipe” (como Metatron, Raziel ou Miguel) e uma “ancoragem” simbólica (livros, doces, música, cristais, flores, frutas etc.). Para cada anjo, o material lista o poder favorecido, o planeta regente, o salmo correspondente e o “gênio contrário”.
Como o sistema funciona, em uma frase
Cada pessoa tem um anjo da guarda determinado pela data de nascimento, e pronunciar seu nome pausadamente, como um mantra, seria uma forma de invocar seu poder — exceto para quem nasce em uma das cinco datas “órfãs” de anjo, consideradas portadoras de uma “essência angelical” herdada de vidas passadas.
As ideias que ficam
A primeira é a lógica numerológica por trás do sistema: um nome sagrado de poucas letras hebraicas, through multiplicação e sincretismo histórico, deu origem a uma estrutura de 72 entidades, cada uma ligada a um recorte específico do calendário solar.
A segunda é a ideia do “gênio contrário”: cada anjo não é apresentado apenas por seu lado favorável, mas também por um conjunto de tendências negativas associadas (orgulho, ciúme, desonestidade, violência), o que aproxima o sistema de uma espécie de mapa de personalidade com dois polos, parecido em função com sistemas como a astrologia.
A terceira é a sobreposição de tradições: o texto reconhece abertamente que, durante o período em que os hebreus viveram no Egito, os anjos cabalísticos foram associados a divindades egípcias — um exemplo de como sistemas esotéricos se formam por sincretismo cultural ao longo da história, e não como blocos fechados e únicos.
Onde o livro erra
O maior ponto de atenção é que todo o sistema se apresenta como fato histórico e espiritual estabelecido, sem qualquer distinção entre tradição cabalística documentada, elementos de sincretismo posterior (como os “Gênios da Humanidade” egípcios) e adições específicas desta compilação, o que dificulta ao leitor separar o que vem de fontes cabalísticas mais antigas do que foi incorporado pelos próprios compiladores do material.
Outro ponto é a ausência de qualquer contextualização crítica ou histórica sobre a cabala judaica em si, suas diferentes escolas e interpretações — o material trata o sistema dos 72 anjos como universal e definitivo, quando, na prática, é uma entre várias sistematizações possíveis dentro da tradição cabalística.
Por fim, as instruções práticas (velas, incensos, pedras, orações) são apresentadas sem qualquer ressalva de que se trata de prática de fé e crença pessoal, não de método com eficácia comprovável.
Levando para a vida
Uma aplicação direta é simplesmente consultar seu próprio anjo pela data de nascimento e ler as características descritas (poder favorecido e gênio contrário) como um exercício de autorreflexão, no mesmo espírito com que muitas pessoas consultam o mapa astral ou o horóscopo chinês.
Para quem é e o que ler depois
O material é indicado para quem já tem interesse por cabala, numerologia e tradições angelicais, e busca uma referência de consulta rápida. É menos indicado para quem procura uma introdução histórica e crítica à cabala judaica como disciplina.
Para seguir no tema de espiritualidade e tradições esotéricas, vale ler As Chaves de Salomão, o Rei (Clavicula Salomonis), já resumido aqui no blog, que também trata de um sistema angelical e de magia cerimonial, mas com uma estrutura de grimório mais ampla e contextualização histórica da própria obra.
Vale a leitura?
Vale, como material de consulta e curiosidade dentro do universo da espiritualidade angelical, com a ressalva de que não é uma introdução crítica ao tema. Eu daria 6, com base no que foi possível conferir.
É um material de referência bem organizado e completo para quem já busca esse tipo de conteúdo, mas que exige do leitor trazer, por conta própria, o distanciamento crítico que o texto não oferece.
Para quem já se interessa por anjos cabalísticos e numerologia espiritual, cumpre bem a função de guia de consulta.